Posts

NOTE! This site uses cookies and similar technologies.

If you not change browser settings, you agree to it. Learn more

I understand

Sessenta reais e um sonho: conheça a história do armador Alesson

15/01/2018

 

 

O valor é quase insignificante num mundo em que carrões e cheques com alguns zeros a mais soltam aos olhos. Para Alesson, a vida no futebol começou com irrisórios 60 reais por mês. Hoje, o meia é uma das promessas cruzeirenses na Copinha e se diverte ao lembrar do início de sua carreira no PSTC, do Paraná.

“Tinha uma bomboniere perto. Nós tomávamos uma Coca-Cola, comíamos uma paçoca, salgadinho. Era o que dava para fazer. Não tinha como não gastar o dinheiro. Qualquer coisa que fossemos comprar, acabavam os 60 reais (risos)”, recorda.

Descoberto numa escolinha de Guarulhos-SP, sua terra natal, Alesson chegou ao PSTC aos 14 anos. Diferentemente do irmão, Janderson, o meia cruzeirense pode contar com o apoio financeiro da família para seguir seu sonho e jogar pelo PSTC, onde grandes jogadores, como Dagoberto e Jadson, foram revelados.

“Minha família já não tinha muitas condições de pagar a passagem para ele ir treinar todos os dias e aí meu irmão abandonou a carreira, após uma lesão no joelho. Eu acabei seguindo meu sonho. Quando estava na escolinha. Um olheiro do estado do Paraná, quis que eu fizesse um teste no Coritiba, só que teve um amistoso uma semana antes contra o PSTC. Depois do amistoso, os caras do PSTC não queriam que eu voltasse para casa”, ressalta Alesson.

“Minha mãe jamais tinha pensado de ficar longe de mim. A conversa foi difícil tanto para mim, quanto para minha família. Sou muito apegado a eles e eles a mim. Quando dei a notícia minha mãe ficou chateada, mas, como era meu sonho, acabou deixando. Ela me ajudava com 200 reais, que se somavam aos 60 que eu ganhava no clube”, acrescentou.

Com a camisa do PSTC, Alesson começou a ganhar destaque, o que lhe abriu portas em várias outras equipes. O armador, porém, topou ir para o Paraná, mesmo que contrariado.

“Quando recebi a notícia do Paraná, lembrei dos jogos em que enfrentei eles. Os caras ficavam enchendo o saco, aquelas coisas do futebol. O pessoal falava para eu não ir para lá e eu ficava indeciso, porque tinha chance de ir para outros clubes. Conversei com minha família e com meu antigo professor de escolinha, o Cícero. Todos me aconselharam a ir”, relembra.


Nesse sábado, Alesson reencontrou ex-colegas do Paraná e marcou o gol celeste

Hoje, Alesson não se arrepende de ter se transferido para o Paraná, onde jogou seus primeiros jogos como profissional e passou a ser mais conhecido. Difícil mesmo foi fazer as pessoas falarem corretamente seu nome.

“De primeira, todo mundo fala Alisson, com o ‘i’ mesmo. Nem corrijo, eu até mesmo falo Alisson (risos). Pergunto para minha mãe o porquê de ela não ter colocado meu nome com o ‘i’, que é mais comum. Ela fala que com a letra ‘e’ o nome fica mais bonito. Que eu conheça, sou o único Alesson”, se diverte.

Após dois anos no Paraná, Alesson acabou defendendo a Ponte Preta por empréstimo para ganhar mais experiência. No retorno ao clube paranista, o armador poderia defender o elenco profissional na Série B, mas escolheu jogar pela equipe sub-20 do Cruzeiro, onde joga uma de suas referências: Thiago Neves.

“O Thiago até começou no Paraná. É um cara que chega na área, faz gol, tem inteligência e bom passe. Fora isso, ele ainda é um cara de grupo. Um jogador que conquistou muitas coisas no futebol e espero seguir o mesmo caminho, fazendo até mais”, afirma o jogador, que quer seguir fazendo bonito na Copinha.

“Busquei fazer o melhor para a equipe quando ganhasse uma chance e aproveitei bem a oportunidade de ser titular. Tenho habilidade, um bom passe e chego bem na área. Confio em mim e quero buscar meu espaço”, encerra.